Encontro com o especialista – Patologia Gastrointestinal

Autor

Dr. Aloísio S. Felipe da Silva

História Clínica

Masculino, 61 anos, em uso de corticoide por quadro de vasculite e espondilite anquilosante. Há 6 meses depressão e redução de ingesta alimentar (IMC=17). Internado em mau estado, evoluiu com sepse a esclarecer. Lesão esofágica à autópsia.

Handout

Trata-se de paciente com diagnósticos prévios de espondilite anquilosante e vasculite sistêmica, que apresentou como complicação, possivelmente agravada por terapêutica imunodepressora, quadro de esofagite necrotizante por Candida sp, com sinais de septicemia fúngica e bacteriana, particularmente em pulmões e peritônio. A imunodeficiência predispõe a infecções esofágicas invasivas. Se por um lado, as infecções superficiais fúngicas ou virais são comuns e em geral respondem bem ao tratamento específico, em alguns casos a doença pode ser profunda e potencialmente letal. Só raramente os quadros sistêmicos em pacientes imunocomprometidos são atribuídos a doença esofágica. Geralmente esta hipótese só é levantada quando ocorrem as complicações locais como perfuração, sangramento, fístula traqueo-esofágica, mediastinite, pneumonia e pleurite.

O quadro endoscópico geralmente é de ulceração, e mesmo por exame de imagem é difícil perceber a ocorrência de necrose transmural. O aparecimento de sintomas é gradual e mesmo na vigência de antibióticos o paciente pode sucumbir em dias a semanas. Uma forma particular de necrose esofágica é conhecida como “esôfago preto” (black esophagus) ou necrose esofágica aguda, relativamente comum em pacientes com doenças graves (diabetes, neoplasia, vasculopatas) porém pouco diagnosticada. Neste caso predomina o fenômeno vascular sobre o infeccioso e o órgão apresenta coloração enegrecida, em áreas puntiformes, estrias ou confluentes, geralmente no terço distal com transição abrupta para a cárdia normal. Microscopicamente observa-se necrose e descamação da mucosa, necrose e edema de submucosa e até necrose da parede muscular, com exsudato de fibrina e neutrófilos. Pode ser observado pigmento de lipofuscina. Nestes casos, o diagnóstico diferencial endoscópico e patológico de lesão enegrecida esofágica se faz com melanose, pseudomelanose, pigmentação exógena, ingestão de substâncias corrosivas e acantose nigricans.

Bibliografia

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