Amaro Nunes Duarte Neto

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História clínica


Homem, 39 anos de idade, com antecedente de hepatopatia crônica, acidente vascular cerebral há 18 anos e diagnóstico de infecção por HIV confirmado desde 2011. Estava sem acompanhamento ou tratamento com antirretrovirais. Deu entrada no serviço de pronto atendimento com hemiparesia à esquerda, febre, sonolência, desvio de rima e anisocoria. Realizada tomografia de crânio no mesmo dia e identificada "massa hipoatenuante e mal delimitada na região nucleocapsular e mesencefálica à direita, com efeito de massa sobre o ventrículo lateral direito, hipovascularizada, podendo corresponder a processo infiltrativo". Na investigação, o paciente tinha sorologia com IgG positiva anti-T.gondii. O líquor tinha 22 células/ul, predominando linfócitos, proteinorraquia de 163 mg/dL, glicorraquia de 48 mg/dL com PCR positiva para T.gondii e Epstein Barr. A pesquisa de outros agentes virais, bacterianos, parasitários e fúngicos resultou negativa no líquor. A contagem de células TCD4+ foi de 19 células u/L e a carga viral do HIV no sangue de 495.701 cópias/uL. Foi iniciado tratamento para neurotoxoplasmose, corticoterapia e solicitado biópsia de encéfalo. Manteve disartria, desvio de rima labial à direita, desvio de língua e palato a esquerda e hemiparesia à esquerda, sem melhora após uso do esquema. Foi reintroduzido terapia antirretroviral (TARV) pela importância no tratamento de linfoma primário de sistema nervoso central (suspeita radiológica, laboratorial e clínica). A biopsia cerebral estereotáxica demonstrou áreas de necrose no parênquima cerebral, sem a demonstração de agentes etiológicos específicos. Durante permanência em enfermaria, apresentou lesões perianais compatíveis com infecção herpética (confirmada pela histologia. Iniciado tratamento com aciclovir. Manteve estabilidade neurológica e hemodinâmica até o 20º dia de internação, quando teve piora da confusão mental e aumento de provas inflamatórias laboratoriais. Na evolução, apresentou insuficiência respiratória, com aparecimento de infiltrados intersticial e nodular em ambos os pulmões. O paciente exibia choque séptico, devido a processo pneumônico. Foi transferido para a unidade de terapia intensiva, onde recebeu antibioticoterapia de amplo espectro, drogas vasoativas e suporte respiratório. No entanto, teve piora hemodinâmica progressiva, vindo a óbito. A autopsia foi realizada.

Diagnóstico


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Handout


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Bibliografia


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